Síntese dos debates reúne financiamento, cuidado, participação social e combate às violências
Brasília, 18 de dezembro de 2025 — O terceiro dia da 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (6ª CONADIPI) marcou a etapa mais decisiva do processo conferencial. Foi nos Grupos de Trabalho (GTs) que pessoas delegadas de todas as regiões do país analisaram, ajustaram e votaram propostas construídas desde as etapas municipais, estaduais, do Distrito Federal e das conferências livres, consolidando prioridades que seguem para a plenária final.
Ao longo do dia, os debates evidenciaram consensos em torno de temas estruturantes para o envelhecimento digno no Brasil, com destaque para financiamento das políticas públicas, fortalecimento das redes de cuidado, enfrentamento às violências, participação social e valorização do protagonismo das pessoas idosas.
Financiamento como base das políticas públicas
Um dos principais eixos de consenso foi a necessidade de garantir financiamento permanente e estruturado para as políticas voltadas à pessoa idosa. As propostas priorizadas defendem o fortalecimento dos fundos da pessoa idosa, com ampliação de incentivos para doações, diversificação das fontes de receita e destinação de recursos públicos específicos.
Também ganhou força a defesa de que a política da pessoa idosa esteja claramente prevista nas peças orçamentárias do país, com critérios de equidade territorial, mecanismos automáticos de repasse e participação efetiva da sociedade civil no acompanhamento da execução dos recursos.
Cuidado, acolhimento e proteção social
Outro eixo central dos debates foi a ampliação e qualificação da rede de cuidado e proteção social. As propostas priorizadas apontam para a expansão de serviços como centros-dia, diferentes modalidades de acolhimento e alternativas de moradia assistida, com financiamento contínuo e articulação entre assistência social e saúde.
O cuidado humanizado, a autonomia das pessoas idosas e o apoio às famílias apareceram como elementos essenciais para enfrentar desigualdades regionais e garantir condições dignas de envelhecimento em todo o território nacional.
Enfrentamento às violências e acesso à justiça
O combate às múltiplas violências contra a pessoa idosa também ocupou lugar central nos debates. As propostas aprovadas defendem a construção de uma política nacional articulada, com protocolos unificados de atendimento, integração entre saúde, assistência, segurança pública e sistema de justiça, além do fortalecimento de canais de denúncia e acolhimento.
A formação humanizada de profissionais, a prevenção da revitimização institucional e a atenção a grupos em maior vulnerabilidade — como mulheres, população LGBTQIA+, pessoas negras, povos tradicionais e pessoas idosas em situação de rua — foram apontadas como prioridades.
Protagonismo, participação e inclusão digital
Os debates também avançaram na defesa da participação ativa das pessoas idosas na vida social, cultural, econômica e política do país. As propostas priorizadas reforçam a necessidade de políticas que promovam protagonismo, formação de lideranças, diálogo intergeracional e enfrentamento ao etarismo.
A inclusão digital apareceu como tema estratégico, com a defesa de ações permanentes de letramento digital, acesso a tecnologias, prevenção a golpes e ampliação de espaços comunitários que combinem conectividade, convivência e troca de saberes.
Conselhos fortes e políticas de Estado
Outro consenso do dia foi o fortalecimento dos Conselhos de Direitos da Pessoa Idosa como instâncias permanentes, deliberativas e com autonomia, reconhecendo seu papel central na formulação, fiscalização e controle social das políticas públicas. As propostas defendem estrutura adequada, financiamento contínuo e formação permanente de conselheiras, conselheiros e lideranças idosas em todo o país.
Com as propostas priorizadas e o texto consolidado nos Grupos de Trabalho, a 6ª CONADIPI entra em sua etapa final. Nesta sexta-feira (19), a plenária irá analisar, votar e consolidar as deliberações que expressam o posicionamento nacional sobre os direitos da pessoa idosa e que devem orientar as políticas públicas nos próximos anos.
