Evento reúne delegações de todo o país para definir prioridades das políticas públicas voltadas à população idosa
Brasília, 16 de dezembro de 2025 — Teve início nesta terça-feira (16), em Brasília, a 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (6ª CONADIPI), principal espaço de participação social para a formulação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento digno, saudável e com equidade. O evento segue até o dia 19, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), reunindo delegações de todas as regiões do país.
A abertura marcou a retomada da conferência nacional após nove anos sem edição e reuniu representantes do governo federal, conselhos de direitos, movimentos sociais e organismos internacionais. Ao declarar oficialmente aberta a 6ª CONADIPI, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou que o encontro é resultado de um amplo processo democrático, construído a partir de milhares de conferências municipais, estaduais e livres realizadas em todo o país. Para a ministra, envelhecer é um processo plural e desigual, e a pessoa idosa deve ocupar lugar central na formulação das políticas públicas e no enfrentamento ao idadismo.
O secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI), Alexandre da Silva, ressaltou que a conferência expressa a diversidade cultural do Brasil e é fruto de um percurso iniciado nas etapas locais e regionais. Segundo ele, o espaço reúne trajetórias distintas de participação social e reafirma o compromisso do Estado com o protagonismo das pessoas idosas.
Representantes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa destacaram que os direitos existentes hoje são resultado da luta das gerações mais velhas e defenderam políticas públicas que garantam dignidade, respeito e equidade. Em nome da OPAS/OMS, foi ressaltado que o envelhecimento populacional impõe desafios sociais urgentes e exige a articulação entre Estado e sociedade civil para fortalecer o cuidado, a saúde e a participação social.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a importância da retomada das conferências nacionais, afirmou que o Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas idosas que demandam políticas públicas de qualidade e anunciou a intenção de criar, a partir de janeiro, o Fórum das Mulheres Idosas do Brasil. Ela também lembrou o lançamento do Plano de Política de Cuidado, ocorrido no dia 15 de dezembro.
Construção coletiva e protagonismo das pessoas idosas
Com o tema “Envelhecimento Multicultural e Democracia: urgência por equidade, direitos e participação”, a conferência reafirma o papel da participação social como eixo estruturante das políticas para a pessoa idosa, reconhecendo as diferentes realidades, trajetórias e formas de envelhecer existentes no país.
Durante quatro dias, a etapa nacional da 6ª CONADIPI será dedicada a debates, formulação de propostas e deliberações que devem orientar a atuação do Estado brasileiro nos próximos anos. A programação inclui plenárias, painéis temáticos e 15 Grupos de Trabalho, organizados em cinco eixos estratégicos, que abordam desde o financiamento das políticas públicas até o enfrentamento das violências contra a pessoa idosa e o fortalecimento dos conselhos de direitos como política de Estado.
O objetivo central do encontro é fortalecer o diálogo entre governo e sociedade civil, ampliando a escuta das pessoas idosas e valorizando seu protagonismo na definição de prioridades para as políticas públicas. A conferência também busca identificar desafios relacionados ao envelhecimento plural no Brasil e propor ações de equidade que garantam direitos e cidadania em uma perspectiva interfederativa.
